domingo, dezembro 26, 2004

emoções

Um pouco de emoção, ah!...
E até mataria o autor, ele ou eu,
com uma apoplexia, duas, três!...
Pus
me
a
pôr
em
versos…

(...)
os poetas
(...), esses briguentos seres desequilibrados,
que falsamente se intitulam apóstolos,
mas,
em dupla, roem a carne do terceiro.
Os poetas,
que cantam a pureza,
mas que passam ao largo
até das proximidades de um banho.
Os poetas
que esmolam de todos, até dos mendigos,
só uma pequena chamada, só um pouco de carinho,
só esmolam uma estatuazinha na esquina,
a esmola da imortalidade dos mortais,
esses cabeças-de-vento, invejosos,
pálidos masturbadores,
que venderiam sua alma por uma rima,
por uma indicação,
que expõem no mercado seus segredos mais íntimos,
que tiram vantagem até da morte de pais,
mães, filhos, e mais tarde, anos passados,
‘numa noite de inspiração’,
quebram suas tumbas, abrem seus caixões,
e com a lanterna de gatunos da vaidade
pesquisam ‘emoções’,
como ladrões de tumbas procuram dentes de ouro e jóias,
depois confessam e se arrependem,
esses necrófilos, esses feirantes.
Desculpem, mas eu os odeio.
Dezsö Kosztolányi, poeta e romancista húngaro ( 1885-1936)

Amo a prosa onde a poesia é uma realidade palpável, aquela que me dá a pausa onde vejo o verso, aquela que invento a par e passo…
Amo a prosa que me dás a ler, porque [(te)r, raios e coriscos…] amo. Por isso escrevo para ti e te invento, em prosa.
Amo a prosa quando ela desagua na Lua e se diz nua, despida, transida de evidência, como se posse capaz de ter [(te)r]... calor e frio.
Amo a prosa porque não converso nenhum verso capaz de se revelar, tudo é igual e diverso, move-se e confesso: aqui a fé que tenho é a que professo.
Amo a prosa com a paz da poesia, capaz da poesia: OM!