domingo, fevereiro 13, 2005

blog g1

A rapariga de “lágrimas frias” é uma jovem licenciada, de trabalho precário e mal pago. Filha duma família pobre, sou eu. Se por um lado gosto de escrever e gosto de histórias, não gosto de contar histórias!! Mas, já que tem que ser, seja. Sou a “heroína” dum blog gótico!...
Parece (eu só apareço depois...) que tudo começou à beira mar, num poema. Ao qual sucede/u comentário:
Posso fabricar o tempo, voltar ao passado, escrever o presente. Aos poucos, irei passando o que ficou.
Confesso, sempre tive um fraco pelos narradores que comentam, são comentadores... Comedores, alimentam-se da acção. Gosto deles extáticos!, não comento.
Assim, entrando como um extremo!...
blog g
É um blog gótico… o silêncio, o escuro, a noite…
As palavras dormem e acórdão duma ideia que, ao acordar, a cor dá(r)...
Estranho, mas é verdade, não há lugar a comentários. Cada “post” postula e pronto, acabou. Todos têm título, uma palavra ou duas...
expectativa
A mais soturna expectativa dormia com a cabeça debaixo da asa como uma ave, encostava-se a uma coruja no silêncio, junto ao tecto dum campanário de igreja alta em sitio íngreme isolado, ignoto, partilhando uma trave apoiada num sonho sujo e vazio, era eu vadio, estranho e com frio.
Este deve ser o narrador que também sou eu nas horas vagas, estas que preencho como uma coruja, de grandes olhos a atravessar o mundo... do olhar!
jovem
Esta noite trazem a jovem amarrada, vendada, dorida que vem do transporte no lombo dum cavalo. Os pés vieram no ar e a cabeça a roçar na cela, a cara molhada no suor do animal, a cheirar as crinas entrelaças com os seus cabelos ao vento.
Esta sou eu, identifico-me por uma marca, um sinal de nascença numa canela: um coração!...
olhos
Lavada em lágrimas, a sua cara secara e apresentava uma beleza extraordinária. Avultavam os olhos ardendo, como tições, centelhas de fantasmagórica febre. O delírio habita seu rosto branco como lírios cortados frescos para pôr numa campa morta de esquecimento, agasalhando ossos.
Não sou de medos, mas ser actriz deste autor, vou-vos contar: é um susto! O que vale são os delírios, são demais! É um gozo...
raptada
Fora raptada, quando só, orava na ara solitária duma campa rasa. Onde fora chorar sua mãe que a deixara órfã, na companhia duma fortuna ganha pelo pai. Para ela desconhecido, vitima de malária num oriente antigo cuja descrição lhe fora feita por ama desaparecida ainda na infância. Nada mais sei da jovem, a não ser tudo o que invento quando a ouço gemer e soluçar.
Como podem ler, é tudo história: continua.